domingo, 23 de janeiro de 2011

Aquecimento Global ou Farsa Global ?


O verão, e todo mundo reclamando do calor, chuvas torrenciais pelo Brasil e todos nós escutando informações sobre as mudanças  climáticas, efeito estufa, aquecimento global, etc...
Com um calor insuportável,  resolvi nas minhas modestas atribuições, buscar uma explicação para o tão falado aquecimento global. Através de uma detalhada leitura de diversos artigos e assistindo documentários, analisei diversas perspectivas como :
·         Emissão de CO2 como causador do efeito estufa.
·         O buraco na camada de Ozônio.
·         Os Iluminati ( quem nunca assistiu Tomb Raider ?)
·         Óvnis da Área 51
·         Umbrela Corporation
·         Nostradamus e finalmente ...
·         a Profecia Maia.
Quando não chegava a mais a nenhuma conclusão, olhei para o Sol em meio a muitas cervejas, e me perguntei:
Porque não poderá ser o Sol o causador das mudanças climáticas da Terra ?
Para isto vamos analisar alguns fatores :
Os que defendem o aquecimento global causado pela elevada concentração de CO2 ( como Al Gore e Leonardo Dicaprio ), derretimento das geleiras e aumento das catástrofes climáticas, afirmam um aumento na temperatura media global. Bem se levarmos em consideração que o termômetro de mercúrio foi inventado pelo  físico alemão Daniel Gabriel Fahrenheit em 1724. Teremos um registro de temperatura preciso de aproximadamente 250 anos, o que em relação a idade da terra não nos oferece muita informação.



    Gráfico baseado em dados da Unidade de Pesquisas Climáticas ( Climatic Research Unit) da Universidade de East Anglia.

Mas ainda assim os cientistas fazem estimativas sobre as temperaturas globais inferiores ao ano de 1800 através de dados chamados Dados de Proxy. Através do link abaixo verifica-se a forma como são obtidos estes dados.


Baseando-se nestes dados verificamos no gráfico abaixo através dos Dados de Proxy da temperatura estimada na Terra nos últimos 425.000 anos através de registros computados através de análise de núcleos de gelo retirados de Vostok ( uma estação de pesquisa russa localizada na Antártida , um projeto com inicio na década de 70).  O núcleo mais profundo foi retirado a uma profundidade de 3263m. Durante aproximadamente 500.000 anos o gelo permaneceu intacto e durante este período, segundo pesquisas realizadas pelos cientistas houve quatro eras glaciais.

Gráfico baseado em dados da Administração Oceânica e Atmosférica Nacional  ( National Oceanic and Atmospheric Administration )

Analisando o gráfico chega-se a conclusão que durante este intervalo houveram períodos mais quentes  que o atual e que o ciclo climático vem se mantendo,
Mas e a temperatura nos últimos 1000 anos ?  Na idade média durante os anos de 800 d.C. à 1300 d.C. houve um período denominado  Período Quente Medieval onde ocorreu um aquecimento global muito curto, seguido por uma  Pequena Idade do Gelo entre os anos de 1450 à 1890 aproximadamente, com profundas mudanças climáticas Muitos cientistas acreditam que o  atual aumento de temperatura é apenas uma recuperação da temperatura em relação a esta Pequena Idade do Gelo.
 Gráfico IPCC report 1990

Mas quais os fatores que provocaram tantas mudanças climáticas ao longo destes 425.000 anos ? Existem muitas teorias, mas as que mais chamam a atenção  é a do astrônomo Milutin Milankovitch que formulou suas teorias no estudo da relação entre a Terra e o Sol. Segundo ele estas mudanças cíclicas eram relacionadas a fatores :


Milutin Milankovitch

Mudança no Eixo de Inclinação da Terra -  segundo Milankovitch o eixo da Terra nem sempre é de 23,5°. Segundo seus cálculos a inclinação da Terra varia  de 22,1° a 24,5° em um ciclo de 41.000 anos, o que ocasionaria quando da inclinação menor  invernos mais rigorosos e verões mais frios, sendo que durante o verão por ser mais frio não conseguiria derreter a neve nas latitudes mais altas, que se acumularia ano a ano formando geleiras, e como o gelo reflete mais energia solar para o espaço que a água ou a terra haveria um resfriamento adicional que aumentaria mais as geleiras e conseqüentemente a reflexão e assim por diante, podendo desencadear uma Era Glacial








Mudança no Formato da Órbita da Terra – de acordo com as teorias de Milankovitch a cada ciclo de 90.000 e 100.000 anos a órbita da Terra muda, ficando mais elíptica, fazendo que a diferença de energia solar recebida no afélio e no periélio seja maior. 


Movimento de Precessão – Milankovitch também propôs que a cada ciclo de 22.000 anos  ocorre uma mudança no sentido de orientação do eixo terrestre, invertendo as estações do ano no hemisférios, sendo assim em torno de 11.000 anos o verão começará em dezembro para o Hemisfério Norte.

As interações entre estes três fatores são complicadas e compostas de inúmeras variáveis, mas certamente podem afetar o clima na Terra. Mas me permitindo acrescentar mais algumas teorias as de Milankovitch , gostaria de salientar que o maior responsável pelo aquecimento ou resfriamento da Terra, é o Sol. Afinal ele é a fonte do calor que aquece o nosso planeta, e sem o Sol não existiria vida na Terra.

Imagem em Raios-X obtida através do filtro de titanium-polyimide (Ti_poly) do telescópio de raios-X Hinode (XRT)


Há centenas de anos os cientistas vêm registrando o número observável de manchas solares como maneira de acompanhar os ciclos de atividade solar. Os ciclos solares tem em média 11 anos, e atualmente estamos no Ciclo 24, após registrar a sua menor atividade em décadas e sua menor luminosidade em muitos anos, o Sol voltou a atividade normal e o período de maior atividade solar do ciclo compreenderá os anos de 2011 à 2013 e poderá trazer diversas mudanças climáticas como no passado. 

Atividade solar de 18/11/2010 à 20/01/2011

Um exemplo é o período conhecido como Mínimo de Maunder  que compreendeu os anos de 1645 a 1715 em que raramente foram observadas manchas solares e que coincidiu com a Pequena Idade do Gelo. Muitos acreditam que devido a demora do inicio do Ciclo 24 o próximo ciclo do sol será menos intenso. 

O fato é que nunca na história da humanidade se estudou tanto o Sol. Missões como da SOHO (Solar & Heliospheric Observatory) e das sondas gêmeas STEREO (Solar TErrestrial RElations Observatory)  e Solar B, fazem um estudo aprofundado e diário. Um destaque é a sonda SOHO, que através de sua página na internet disponibilizam dados atualizados diariamente em relação ao Sol.




Ciclo 23

De fato os cientistas estão cada vez mais convencidos da importância da relação da atividade solar com o clima da Terra, pois não implica apenas na luz visível, mas nas variações de Radiação Ultravioleta e Raio-X.  Através destes dados acima analisados acredito que estejamos indo em direção a um resfriamento do planeta principalmente no Hemisfério Norte, um exemplo foram as fortes nevascas que assolaram os EUA e a Europa no ultimo mês de Dezembro, o que não me parece um “aquecimento global”. A pergunta que  faço é:

- Qual o objetivo do alarmismo do “Aquecimento Global” ?

De sua opinião sobre este assunto !!! 


Fernando Franco
Graduando de Geografia 


links interessantes





terça-feira, 18 de janeiro de 2011

Deslizamento: Maior tragédia do Brasil foi na Serra das Araras

Uma cruz de 10 metros na subida da Serra das Araras (Piraí-RJ), no local conhecido por Ponte Coberta, marca o início de um enorme cemitério construído pela natureza. Lá estão cerca de 1.400 mortos (fora os mais de 300 corpos resgatados) vítimas de soterramento pelo temporal que atingiu a serra em janeiro de 1967. Foi a maior tragédia da história do país, superando o número de mortos da atual tragédia na Região Serrana do Estado do Rio de Janeiro, hoje acima de 500.
No episódio da Serra das Araras, suas encostas praticamente se dissolveram em um diâmetro de 30 quilômetros. Rios de lama desceram a serra levando abaixo ônibus, caminhões e carros. A maioria dos veículos jamais foi encontrada. Uma ponte foi carregada pela avalanche. A Via Dutra ficou interditada por mais de três meses, nos dois sentidos.
A Revista Brasileira de Geografia Física publicou, em julho do ano passado, a lista das maiores catástrofes por deslizamento de terras ocorridos no país. O episódio da Serra das Araras, com seus 1700 mortos estimados, supera de longe qualquer outro acidente do gênero no país.
Para se ter uma idéia do que ocorreu na Serra das Araras basta comparar os índices pluviométricos. A atual tragédia de Teresópolis ocorreu após um volume de chuvas de 140mm em 24 horas. Na Serra das Araras, em 1967, o volume de chuvas chegou a 275 mm em apenas três horas. Quase o dobro de água em um oitavo do tempo.
Mas o episódio da Serra das Araras parece ter sido apagado da memória do país e, especialmente, da imprensa. O noticiário dos veículos de comunicação enfatiza que a tragédia da Região Serrana do Rio superou o desastre de Caraguatatuba em março de 1967 (ver abaixo). O caso da Serra das Araras, ocorrido em janeiro daquele mesmo ano, sequer é citado.
Até a ONU embarcou na história e colocou a tragédia atual entre os dez maiores deslizamentos de terras do mundo nos últimos 111 anos.

Caraguatatuba

O ano de 1967 foi realmente atípico. Em março, dois meses após a tragédia da Serra das Araras, outro desastre atingiu Caraguatatuba, no litoral paulista. Chovia quase todos os dias desde o início do ano (541mm só em janeiro, o dobro do normal). Do dia 17 para 18 de março, um temporal produziu quase 200 mm de chuvas em um solo já encharcado. No início da tarde de 18 de março, sábado, a tragédia aconteceu sob intenso temporal que chegou a acumular 580mm de chuvas em dois dias (Teresópolis teve 366mm em 12 dias).
Segundos os relatos da época, houve uma avalanche de lama, pedras, milhares de árvores inteiras e troncos que desceu das encostas da Serra do Mar, destruindo casas, ruas, estradas e até uma ponte. Cerca de 400 casas sumiram debaixo da lama. Mais de 3 mil pessoas ficaram desabrigadas (20% da população da época). O número de mortos - cerca de 400 - foi feito por estimativa, pois a maioria dos corpos foi soterrada ou arrastada para o mar.
Detalhe: Caraguatatuba, em 1967, era um balneário turístico de 15 mil habitantes. Dá para imaginar quais seriam as consequências se aquela tragédia ocorresse hoje, com os atuais 100 mil habitantes.

‘Vimos mortos nas árvores, braços na lama'

Bárbara Osório-MacLaren nasceu na Alemanha em janeiro de 1939. Tendo sobrevivido à II Guerra Mundial, veio para o Brasil com a família em 1950, quando tinha 11 anos, atendendo a um chamado do avô materno, que já vivia no país.
Foi morar em São Paulo, na Tijuca Paulista, fez Admissão no Externato Pedro Dolle e, quando jovem, estudou no Ginásio Salete. Frequentava o Clube Floresta: "Nos encontrávamos (com os amigos) para nadar ou praticar outro esporte", relembra.
Em 1961, mudou-se para a Inglaterra. Seis anos depois, aos 28 anos de idade, voltou ao Brasil para rever os amigos.
Já no Rio de Janeiro, em 22 de janeiro de 1967, às 23 horas, tomou um ônibus da Viação Cometa com destino a São Paulo. Um temporal desabou na Via Dutra, que acabara de ser duplicada. Nunca, naquela região, se havia visto ou iria se ver uma chuva tão forte quanto aquela que presenciava a jovem alemã e que ela relata a seguir:
- Dentro de 40 minutos, na Via Dutra, houve um temporal. O nosso ônibus já estava na subida, mas a estrada se abriu a nossa frente. Lá ficamos até a manhã do dia seguinte. Pela rádio ouvimos os gritos de pessoas em outros carros, estavam sufocando na lama.
Bárbara dá detalhes: "Pela manhã, descemos o morro a pé, vimos mortos nas arvores, braços na lama, as reportagens nos jornais falavam de mais de 400 mortos. Eu desmaiei no transporte de caminhão desta cena ao Centro do Rio. Quando acordei do coma ou desmaio, estava em Lisboa, Portugal. Em outras palavras, em vez de me levarem a um hospital no Rio, me despacharam para a Europa".
A experiência da jovem alemã, hoje com 72 anos, foi contada há dois anos em um depoimento ao site "São Paulo Minha Cidade" e dá a dimensão do que ocorreu na Serra das Araras em 1967.
Mas seu depoimento, 42 anos após a tragédia, é uma raridade. Há poucas histórias registradas sobre os acontecimentos da época, por duas razões: carência de boa cobertura jornalística, em virtude dos parcos recursos tecnológicos da imprensa no período, e o fato de que o episódio foi tão trágico que poucos sobreviveram para testemunhá-lo.
Outra das poucas histórias que sobreviveram também envolve um cidadão estrangeiro. É a história do motorista do ônibus prefixo 529 da Viação Cometa, que salvou a vida de quase todos os passageiros. O motorista, quando vislumbrou a tragédia que poderia se suceder, pediu que todos deixassem o ônibus, mas um estrangeiro recusou-se à deixar o veículo. Poucos minutos depois, uma rocha rolou e caiu sobre o ônibus, matando o estrangeiro.

Advogado lembra trabalho de presos

O advogado Affonso José Soares, de Volta Redonda, que morava em Piraí na época da tragédia, lembrou que, na madrugada da tragédia na Serra das Araras, trabalhava em um habeas corpus para a libertação de sete presos. Eles haviam sido detidos, em flagrante, cerca de dois meses antes, praticando um jogo ilegal de aposta conhecido como "Jogo da Biquinha". Durante a madrugada, percebeu o barulho do estrondo, mas continuou o trabalho com o auxílio de um lampião, já que a cidade ficou às escuras por causa dos deslizamentos na serra.
- Estava trabalhando no meu escritório e escutei o estrondo por volta de uma ou duas horas da manhã. Estava trabalhando intensamente em um habeas corpus para sete presos que estavam na cadeia de Piraí e, quando as luzes se apagaram, tive que usar um lampião durante a madrugada toda - lembrou.
Na manhã seguinte, segundo ele, o município foi "invadido" por passageiros do Rio de Janeiro e de São Paulo, que ficaram impossibilitados de passar pela serra devido aos desmoronamentos e crateras.
- Foi uma ocorrência de acidente muito grave. Os ônibus de São Paulo e carros do Rio entravam em Piraí e não tinham como seguir viagem. O comércio foi praticamente invadido por passageiros. A tromba d'água tinha destruído praticamente todo o acesso. Na Serra das Araras, havia crateras enormes. Demoraram quatro ou cinco meses para restabelecer a situação - lembrou.
Antes do meio dia, no dia da tragédia, o advogado lembra que foi procurado pelo delegado que pediu sua ajuda para convencer os presidiários a colaborarem no resgate das vítimas.
- O contingente da delegacia era de cinco pessoas, entre policiais militares e civis e havia necessidade imediata de pessoas para realizar o trabalho de prestar socorro às vítimas presas nas crateras. O delegado acrescentou que os presos depositavam confiança em mim e me respeitavam e que eu poderia convencê-los a ajudar - continuou.
Ao dirigir-se àquele que seria o "líder" dos presos, Affonso recordou que frisou a oportunidade de os presos mostrarem humanidade e solidariedade.
- Falei que eles estavam tendo uma oportunidade de prestar um serviço público e demonstrar espírito solidário. Mesmo assim, lembrei que se esboçassem qualquer reação de rebeldia poderiam ter sérios problemas, porque eu tinha material suficiente para incriminá-los. Eles aceitaram e pediram para dizer que estavam nas mãos do delegado - acrescentou o advogado.
Os sete presos fizeram o trabalham mais pesado do salvamento: foram amarrados por cordas e descidos até o local em que estavam às vítimas. Além de auxiliar no salvamento e nos primeiros socorros aos sobreviventes, apanhavam corpos e os traziam abraçados.
"Eles eram fortes e fizeram um trabalho que ninguém queria fazer. Trabalharam por 48 horas e voltaram à delegacia para ajudar na parte burocrática", frisou Affonso.
Dias depois, por intermédio de um escrivão piraiense que vinha de São Paulo, Affonso descobriu que o trabalho executado pelos presos havia ido parar na primeira página do Jornal da Tarde com o título "Os sete homens bons". Sem pestanejar, anexou a reportagem ao processo que estava organizando.
- Apanhei a primeira página do Jornal da Tarde e juntei ao habeas corpus e tenho certeza que isso contribuiu para obter a liberação deles. Eles demonstraram seu lado humano, o de quem não é só criminoso, bandido - explicou.

Fontes: 

Parece que ainda não aprendemos com a história, vale lembrar que Floripa tem inúmeras áreas de risco.

A terra prometida dos chineses


Em busca de mercado para suas empresas e de recursos naturais abundantes, a China faz da África uma região estratégica. Serão eles parceiros ou novos colonizadores?

Este é o século em que a China irá comandar o mundo. E nós queremos estar ao lado dos novos líderes." A frase acima fez parte do discurso do presidente da Nigéria, Umaru Musa Yar';Adua, em sua primeira visita oficial à China, no começo deste ano. Mais do que uma retórica diplomática para agradar o governo de Pequim, a sentença é um exemplo de uma disposição que, colocada em prática nos últimos anos, transformou a relação entre os países africanos e a China num dos casos mais intensos de intercâmbio comercial da atualidade. Existem hoje cerca de 750 000 chineses vivendo na África, a maior parte deles trazida a reboque das 800 empresas do país que têm negócios na região. Entre 2003 e 2006, os investimentos diretos chineses no continente passaram de 75 milhões de dólares em 2003 para 520 milhões de dólares - um aumento de quase 600%. Não por acaso, os asiáticos têm sido chamados de "os novos colonizadores da África". "O movimento de negócios é impressionante e se tornou mais intenso a partir de 2000", afirma o pesquisador inglês Christopher Alden, que lançou há dois anos o livro China in Africa: Partner, Competitor or Hegemon? ("China na África: parceira, concorrente ou dominadora?", ainda sem previsão de lançamento no Brasil).
A África já passou por vários movimentos de colonização ao longo da história. No século 14, os portugueses chegaram por lá, na época dos descobrimentos, ocupando as Ilhas Canárias, atrás de ouro, trigo e escravos. Depois disso, vieram França e Inglaterra, que assumiu a liderança da colonização africana a partir do final do século 18 graças ao poderio naval e econômico, estabelecendo territórios em alguns países como África do Sul e Nigéria. Agora, ao que tudo indica, chegou a vez dos asiáticos. Já existem mais chineses hoje na Nigéria do que existiam ingleses no auge do império britânico na África. A presença dos chineses já é marcante em vários setores da economia africana. Eles constroem estradas, hidrelétricas, hotéis, postos de gasolina. Também instalam filiais de suas grandes empresas, como a China Mobile, da área de telecomunicações, e a China Civil Engineering and Construction, uma das líderes do setor de construção. E, sobretudo, seguem atrás da abundância de riquezas naturais da região - o petróleo entre elas.
Um exemplo de investimento recente nessa área foi o contrato de 5 bilhões de dólares fechado pela China National Petroleum Corporation (CNPC) com o governo do Níger, país de 12,4 milhões de habitantes, localizado no centro-oeste da África. Assinado em maio, o acordo visa explorar reservas petrolíferas, estimadas em 324 milhões de barris. De acordo com o pacote acertado, a CNPC construirá uma refinaria e uma rede de 2 000 quilômetros de dutos para a exportação do produto. Em troca do investimento, o Níger vai dividir com os chineses os lucros da exploração de petróleo. Isso deve aumentar ainda mais a importância da África para o governo de Pequim na área de energia. No ano passado, Angola ultrapassou a Arábia Saudita como principal fornecedora de petróleo para a China, suprindo hoje mais de 30% das necessidades do país. O comércio bilateral entre África e China também aumentou dramaticamente nos últimos anos. De acordo com um estudo publicado em abril pelo serviço de pesquisa do Congresso americano, entre 2001 e 2006 as exportações africanas para a China cresceram mais de 485%. A título de comparação, o salto das vendas para os Estados Unidos durante o mesmo período foi de 178%.
O governo de Pequim tem impulsionado nos últimos anos a invasão do continente africano com uma série de medidas. Um dos principais fomentadores da onda é o banco Exim Bank chinês, espécie de BNDES local. Atualmente, o banco estatal financia mais de 300 projetos de empresas chinesas em território africano, com juros baixos e prazos de pagamento a perder de vista. Uma das áreas de especial interesse para a China é o agronegócio. Além de aproveitar o potencial da África para vários tipos de cultura, os chineses encaram a região como uma solução para o drama de seus milhões de agricultores - sem perspectivas de melhora de vida, muitos deles deixam a zona rural chinesa para viver nas metrópoles, agravando o problema de superpopulação nessas áreas. Nos últimos anos, a estratégia do governo comunista tem sido resolver a questão mandando parte dessas pessoas para a África, a reboque das empresas do agronegócio. O Estado oferece ajuda a companhias nacionais para investimentos na África (via Exim Bank) e as auxilia na busca das melhores oportunidades. Com isso, milhares de chineses já trabalham em fazendas em países como Quênia, Uganda, Gana e Senegal.
A exemplo do que ocorre com Yar';Adua, o presidente nigeriano, outros líderes políticos africanos têm estendido o tapete vermelho aos chineses. Além de melhorar a dramática situação da infra-estrutura dos países do continente, o dinheiro chinês tem impacto no crescimento de várias economias da região. Segundo especialistas, o ingresso maciço de capital chinês é um dos responsáveis pela taxa média de crescimento anual acima de 6% registrada nos últimos tempos pelos países da chamada África subsaariana, a porção mais pobre do continente. Aumentar a presença e a influência política chinesa na África é estratégico para Pequim. Há dois anos, por exemplo, o presidente Hu Jintao concedeu 8 bilhões de dólares em empréstimos em condições especiais a Nigéria, Angola e Moçambique.
Colonização asiática
1. Investimentos chineses na África (em milhões de dólares)
200375
2004317
2005392
2006520
2. Evolução da comunidade chinesa em alguns países africanos
África do Sul
199030 000
2008300 000
Nigéria
19902000
2008100 000
Gana
1990500
20086000
3. Exemplos de países que concentram os investimentos
Angola
O país ultrapassou a Arábia Saudita como o maior fornecedor de petróleo para a China. Hoje, supre mais de 30% das necessidades do país. Em troca, o governo de Pequim financia a juros baixos obras de infraestrutura em Angola
Namíbia
Concentra boa parte dos investimentos chineses em construção civil no continente. As obras com participação chinesa somam atualmente cerca de 130 milhões de dólares
Uganda
Mais de 4 000 hectares de terras agricultáveis já foram arrendados aos chineses. O cultivo de grãos é a principal atividade dos fazendeiros asiáticos
África do Sul
Os empresários chineses participam hoje de vários setores da economia local. Recentemente, o Banco Comercial e Industrial da China comprou 20% das ações do Standard Bank, principal instituição financeira do continente africano
Fontes: Unctad, Chris Alden e Centro para Estudos Chineses da Universidade de Stellenbosch (África do Sul)
O avanço dos chineses em solo africano tem provocado críticas ferozes no Ocidente. Parte delas, é verdade, são queixumes de concorrentes que se sentem incomodados com a chegada de um novo rival a um mercado com grande potencial de crescimento. "Não dá para competir com os custos dos chineses, que encostam no litoral africano navios com centenas de pessoas dispostas a trabalhar por salários baixos", afirma o diretor de uma grande construtora brasileira. Fora as lamentações comerciais, a acusação mais comum é que o governo de Pequim suga os recursos naturais de países pobres da região, oferecendo em troca apenas algumas migalhas. Os chineses seriam, assim, como nuvens de gafanhotos sobre a África. Após sua passagem, pouco restaria para os locais. Não faltam também vozes lembrando que os chineses negociam indistintamente com todos os governos, pouco se importando se eles patrocinam atrocidades ou estão afundados na lama de corrupção.
Outro ponto que provoca polêmica é o potencial explosivo da combinação entre a urgente necessidade africana por capital estrangeiro e o estilo predatório de capitalismo da China. Em grande parte, a estratégia de Pequim em sua invasão do continente consiste em abrir novas fronteiras de consumo para as empresas chinesas. A exemplo do que ocorreu em várias outras partes do mundo, a chegada de algumas delas, com seus produtos de preços baixíssimos, aniquilou boa parte das indústrias locais. Isso ocorreu com as fábricas de têxteis e de calçados de países como Quênia e Suazilândia. Na Nigéria, a crise mais grave ocorreu com o setor de plásticos.
No âmbito do movimento ambiental, os ecologistas têm calafrios só de pensar nos estragos que os chineses podem causar à África, um paraíso da biodiversidade, se reproduzirem por lá os mesmos métodos utilizados em seu país de origem - ou seja, promovendo o "progresso" à custa do emporcalhamento do ar, dos rios e do esgotamento dos recursos não-renováveis numa velocidade enorme. Por ora, os chineses não se impressionam com nada disso. "Somos acusados de fazer o papel de neocolonizadores, mas o fato é que as contribuições da China durante 50 anos têm levado a diversos países africanos a riqueza e o desenvolvimento que os países ocidentais que exploraram o continente durante 400 anos jamais trouxeram", afirma Li Ruogu, presidente do Exim Bank. À primeira vista, o argumento dos chineses é muito bom. Mas, como um crime não justifica o outro, o governo de Pequim terá de dar melhores demonstrações ao mundo de que a invasão de negócios chineses pode trazer mesmo algum alento a uma das regiões mais pobres e castigadas do mundo.

Fonte:Luciene Antunes, Revista  EXAME

domingo, 9 de janeiro de 2011

Contato

Para  sugestões, reclamações, divulgação, eventos, dúvidas, ou só para expressar sua opinião, envie seu e-mail para :
fernando.francal @bol.com.br

Teremos o  maior prazer em publicar no Blog.


Abraço a todos

Fernando

Documentários, documentários e mais documentários

Excelentes documentários para download, e na pagina principal muitos e-books.
http://ebooksgratis.com.br/category/filmes-e-documentarios/

Destaques:
O novo documentário de Michael Moore ( o mesmo de Sicko e Fahrenheit 11/9 ) mostra uma visão do preço pago pelo American Dream. A nova realidade do God´s Country. Imperdível !!!!!
Portugal foi responsável pela maior emigração forçada da história da humanidade. De Angola chegou ao Brasil um número 10 vezes superior de escravos comparado à America do Norte. Este documentário, sobre o passado colonial do Brasil, foi realizado em 2000 por Phil Grabsky, para a BBC/History Channel. Ganhou um Gold Remi Award no Houston International Film Festival em 2001.
Enquanto todo o mundo conhece a história da escravidão nos EUA, poucas pessoas percebem que o Brasil foi, na verdade, o maior participante do comércio de escravos. Quarenta por cento de todos os escravos que sobreviviam à travessia do Atlântico eram destinados ao Brasil, quando apenas 4% iam para os EUA. Chegou uma época em que a metade da população brasileira era de escravos. O Brasil foi o último país a abolir a escravidão, em 1888. 


A privatização  do Iraque pelo governo do God´s Country. A verdade sobre quem ganha dinheiro com uma guerra suja, enquanto a população dos dois países morre, para alguns poucos lucrarem.
 Deus, o Universo e tudo o resto é um colóquio de ensino, na tentativa de descobrir uma grande teoria unificada das leis que governam o universo. Este programa esclarecedor se aprofunda em temas como a Teoria do Big Bang, a expansão do universo, os buracos negros, a vida extraterrestre e as origens da criatividade.
Stephen Hawking é um físico teórico britânico que dedicou grande parte de sua vida a investigar as leis do tempo e do espaço descrito pela Teoria da Relatividade de Einstein. Carl Sagan foi um astrônomo norte-americano que desempenhou um papel importante no desenvolvimento do programa espacial americano, bem como suas contribuições à ciência planetária. Arthur C. Clarke é um autor britânico, famoso pelo clássico de ficção científica  2001: Uma Odisséia no Espaço

sexta-feira, 7 de janeiro de 2011