quinta-feira, 24 de fevereiro de 2011

A Líbia, Kadafi ( ou Gaddafi ) e El Dorado Canyon

Os recentes acontecimentos na Líbia ocupam destaque nos principais noticiários. Palavras como genocídio, massacre, guerra civil e rebeldes, estão praticamente em todos os noticiários, mas uma palavra começa a tomar um espaço maior no noticiário: Petróleo. 
A Líbia é o quarto maior produtor de petróleo da África, com grandes reservas de petróleo e gás natural os quais exporta principalmente para a Europa. Desde o início da crise o preço do barril de petróleo vem aumentando diariamente.
Não vou falar aqui sobre teorias da conspiração, sobre qual pais invadiu o Iraque para ter acesso as suas reservas de petróleo nem sobre desarticular o mundo árabe para poder atacar o Irã. Gostaria apenas de postar o comentário do líder cubano Fidel Castro :
O líder cubano Fidel Castro advertiu nesta terça-feira que os Estados Unidos não hesitarão em ordenar que a Otan invada a Líbia para controlar o petróleo e colocou em dúvida a veracidade das informações que descrevem uma sangrenta repressão ordenada pelo governo de Muamar Kadhafi.

"Para mim é claramente evidente que o governo dos Estados Unidos não se preocupa em absoluto com a paz na Líbia, e não vacilará em dar à Otan a ordem de invadir este rico país, talvez em questão de horas ou em alguns dias", escreveu o líder cubano em mais um artigo de opinião.

Fidel diz ainda que é preciso esperar para saber "o quanto há de verdade ou mentira" nas informações sobre os acontecimentos na Líbia, onde, segundo as ONGs, entre 200 e 400 pessoas teriam morrido nos últimos dias nas repressão do regime Kadhafi.

"Pode-se estar ou não de acordo com Gaddafi (Kadhafi). O mundo foi invadido por todo tipo de notícias, empregando especialmente meios de informação em massa. Mas é preciso esperar o tempo necessário para conhecer com rigor quanto há de verdade ou mentira, ou uma mistura de fatos de todos os tipos que, em meio ao caos, são produzidos na Líbia".

Fidel classificou ainda de "mentira com pérfidas intenções" a versão que circulou sobre uma possível fuga de Kadhafi para a Venezuela, cujo presidente, Hugo Chávez, mantém relações com a Líbia.

Fonte: AFP
          Geopolítica Brasil

E de relembrar uma operação pouco conhecida nos dias de hoje chamada El Dorado Canyon:

Um covarde bombardeio as cidades líbias promovido pelo governo americano e que causou cerca de 130 mortes, muitos dos quais eram  civis. Abaixo transcrevo um texto sobre o ataque.


O ataque-aéreo norte americano à Líbia: Operação El Dorado Canyon
As noites de sono do ditador líbio Muammar al-Gadaffi já foram melhores. As manifestações populares que enfrenta hoje (fev./2011) no país são – sem sombra de dúvidas – a pior revolta interna que já passou.
Mas numa outra data, Gadaffi também perdeu o sono. Em 14 de abril de 1986 ele acordou com o som das bombas lançadas por aeronaves de ataque e bombardeiros dos EUA: Operação El Dorado Canyon.
Em 5 de abril daquele ano, uma bomba explodiu numa danceteria de Berlim chamada La Belle, frequentada por militares dos EUA. O Serviço de inteligência dos EUA apontou que os terroristas tinham forte ligação com o governo da Líbia, que teria financiado o atentado.
Foi a gota d’água! Já há alguns anos os EUA e a Líbia vinham se desentendendo: A Líbia dava suporte ao terrorista Abu Nidal, que atacou os aeroportos de Viena e Roma, em 1985; reclamava áreas marítimas no Golfo de Sidra e atacava navios e aeronaves que nela entrassem – a chamada Linha da Morte, que Gadaffi afirmava que ao ser passada, receberia resposta militar; havia rumores de que a Líbia desenvolvia um programa armas químicas.Desta vez o presidente norte-americano Ronald Reagan não ia deixar sem resposta a ação terrorista e afirmou que nenhum lugar do mundo seria um paraíso para terroristas. Deu sinal verde para uma retaliação e em 10 dias, a USAF e a USNavy fizeram um ataque aéreo sobre as cidades costeiras líbias de Tripoli e Benghazi.
Reagan também pediu a seus aliados na Europa que impusessem sanções políticas e econômicas à Líbia. Porém o único apoio que obteve foi da primeira-ministra britânica Margaret Thatcher, que autorizou o uso das bases em seu país para o lançamento da operação.
França, Itália e Espanha (vizinhas da Líbia e não querendo que o terrorismo líbio chegasse às suas cidades) recusaram os pedidos de direitos de sobrevoo e ao uso de bases aéreas militares americanas na Europa continental, obrigando as aeronaves a alcançarem o seu destino pelo espaço aéreo internacional do Reino Unido para chegar ao Estreito de Gibraltar.
Segundo alguns cientistas políticos, o atentado de Lockerbie a um avião norte-americano sobre a Escócia em 1988, teria sido uma reação da Líbia ao ataque aéreo americano.

Como podem ver a mesma história, terroristas, petróleo e bombas. Alguns anos depois um novo capitulo desta saga continuaria com nomes de Desert Storm e Iraqi Freedon.  Também cabe ressaltar que as reivindicações libias sobre o Golfo de Sidra, o que vendo no mapa abaixo podemos fazer um comparativo entre as reivindicações libias na época (1986) e o nosso pré-sal. Sugiro como  leitura as reportagens abaixo.



Vermelho.org


Marinha do Brasil

Fernando Franco



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